O problema não é a proposta em si, mas a maneira como foi adotada no Rio de Janeiro, do dia para a noite, por decreto.
A proposta de ciclos tem sido vitoriosa em cidades onde é bem implantada, ou melhor, plantada. E nada tem a ver com promoção automática.Em essência, inverte a lógica escolar hegemônica, que coloca as crianças a serviço dos programas seriados. Numa escola ciclada, são os professores que têm de acompanhar o desenvolvimento/os passos/ os processos de crescimento de meninos e meninas, e não o contrário.
Por exemplo: Antonio adora matemática, história e geografia, mas tem dificuldade em português. Ao final do ano, esta dificuldade não o impede de seguir em frente com sua turma de origem. EStar ao lado de seus pares o fortalece, o encoraja. Ele não é reprovado, mas, no ano seguinte, é acompanhado de perto pela professora, que tem consciênica da dificuldade e é preparada para ajudar Antonio a superá-la.
Razoável, não é? Afinal, ninguém é reprovado na vida: se, num ano sou ótima trabalhadora ,a mas não sou tão boa mãe, a vida seguirá em frente, não serei reprovada em minhas funções maternas.
A grande questão do sistema de ciclos é que ele exige uma escola cuidadosa, atenta ao desenvolvimento das crianças, sensível às suas dificuldades. Isto só se alcança se houver investimento nos profissionais, tempo semanal para reuniões, formação que se constitua como reflexão permanete sobre a prática, isto é, reflexão sobre as questões do cotidiano. Voltando ao exemplo prático: se a escola de Antonio for ciclada, sua professora, em parceria com as colegas, terá que dispor de tempo e de coordenandores/assessores que favoreçam o processo de reflexão sobre as dificuldades do menino, e busca de refeências teóricas que iluminem esta refelxão, a construção de estratégias de trabalho que o ajudem Antônio a superar suas dificuldades.Uma escola ciclada exige que sejam produtivos os momentos voltados para a formação, que no caso do Rio de Janeiro, são denominados como Centros de Estudo, são quinzenais e, gerlamente, improdutivos.
Em BH, o sistema foi implantado na primeira gestão do PT, derrubado pouco tempo depois, e retomado por reivindicação da maioria da rede. Em Blumenau, foi sendo implantado democraticamente e paulatinamente nas aescolas cujos professores e pais iam aderindo a ele, por meio de um amplo processo de debate/consulta. Assim, ao longo de 8 anos de governo, ele foi se expandindo.
Não tenho dúvidas de que, do ponto de vista das crianças, respeito ao seus ritmos, às suas fases de desenvolvimento, é o ideal. Mas exige seriedade e perssitência, porque há muita resistência por parte dos professores, acostumados a reinarem absolutos no sistema seriado. Aqui, como na fábrica, é cuspido fora quem não acompanha e se enquadra na linha de montagem.
um beijo,Léa
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
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